De Autocaravana, tenho vindo a viajar ''cá dentro'' e pela Europa... para lá do Círculo Polar Àrtico - até ao Cabo Norte, onde vivenciei o ''Sol da Meia-Noite''.
Viajei em Autocaravana pelo Norte de Àfrica... (mais de uma vez), muito para lá do Trópico de Cancer... até à Guiné-Bissau.
Fui também por estrada à Àsia - Turquia e Capadócia, sendo que no regresso fiz a Croácia e dei um saltinho a Mostar e Saraevo na Bósnia-Herzegovina.
Sem pretensiosismo literário ou outros, apenas pela PARTILHA, dessas e outras viagens vou dando conta neste espaço.

Países visitados em Autocaravana: - EUROPA: ESPANHA – ANDORRA -FRANÇA-ITÁLIA-MÓNACO- REINO UNIDO - IRLANDA -HUNGRIA-REP.CHECA-SUÉCIA-ESLOVÉNIA - ESLOVÁQUIA- POLÓNIA-AUSTRIA-SUIÇA-ALEMANHA-BÉLGICA-HOLANDA-DINAMARCA-NORUEGA-FINLÂNDIA-ESTÓNIA-LETÓNIA-LITUÂNIA-BULGARIA - BÓSNIA HERZGOVINA- ROMÉNIA -GRÉCIA – CROÁCIA – LIENCHSTEIN – LUXEMBURGO – S.MARINO - VATICANO ÀSIA : -TURQUIA-CAPADÓCIA ÀFRICA: GUINÉ-BISSAU – CASAMANÇA – GÂMBIA – SENEGAL – MAURITÂNIA – SAHARA - MARROCOS

Outras viagens:RÚSSIA (Moscovo e S. Petesburgo) -AMÉRICA do NORTE:CANADÁ (Quebec-Ontário-Montreal-Otawa-Niagara falls) - EUA(Boston-Nova Iorque-Cap Kenedy-Orlando - Miami)AMÉRICA CENTRAL:CUBA (Havana - S. Tiago de Cuba - Trinidad - Cienfuegos - Varadero)- ÀSIA :CHINA (Macau-Hong Kong) - VIETNAM(Hanói-Danang-Ho Chi Min) -

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Oh Elvas, Oh Elvas… Badajoz à vista! ( 3 )

Dia 27janeiro2016 – 4ª. feira
ÉVORA - REGUENGOS DE MONSARAZ - MONSARAZ
 Recapitulando
Pastelaria ''Pão de Rala''
Começamos a manhã com o reforço do pequeno almoço na muito pequena mas aconchegadora Pastelaria Conventual ‘Pão de Rala’ onde à entrada as lentes dos nossos óculos passam de límpidas a opacas, tal a diferença de temperatura do exterior.
A 'parceria' deliciando-se com o aconchegante pequeno almoço no ''Pão de Rala''
Saídos, avançamos para a visita matinal a uma das Praças mais interessantes de Évora.
 O maravilhoso chafariz de mármore, enche-nos as medidas.

Seguiu-se a visita aos vários polos da Fundação Eugénio Almeida, onde a Sra. Ana e o jovem João fizeram as honras da casa, acompanhando-nos nas visitas com descrição pormenorizada que nos embeveceu tal o empenho, conhecimento e profissionalismo que colocaram na explanação dos locais visitados recheados de história da partilha que o legado nos deixou.
Fundação Eugénio de Almeida
A biblioteca ( foto proibida )
Detentora de uma das maiores fortunas em Portugal na segunda metade do século XIX, a família do Instituidor da Fundação Eugénio de Almeida alicerçou uma parte do seu sucesso na implementação de um rigoroso sistema de informação graças ao qual foi possível assegurar ao longo de cinco gerações não só a gestão da diversidade e volume de negócios em que os seus membros participaram, mas também a administração de um vasto património imobiliário, grande parte dele fundiário e disperso pelo país.
Mantida na sua íntegra, a documentação do arquivo permite hoje reconstituir o percurso ascensional de uma família burguesa no Portugal de oitocentos, evidenciando não só as que foram as suas opções ao nível das atividades económicas, mas também a intervenção pública que os seus membros protagonizaram como deputados, Pares do Reino, Conselheiros de Estado ou Provedores da Casa Pia de Lisboa, para além de abrir uma janela para o universo quotidiano das vivências familiares e do estilo de vida da elite deste período.
Um teto fabuloso - pequeno detalhe no tampo da mesa já que as fotos não são permitidas

Refletindo as atividades e a história da família Eugénio de Almeida desde o final do século XVIII até à atualidade, o âmbito cronológico do arquivo remonta, no entanto, ao século XIV como resultado da incorporação de documentação, em especial títulos de propriedade, provenientes dos cartórios de Casas Senhoriais a quem ao longo da segunda metade do século XIX foram adquiridos bens de raiz que contribuíram para a construção do “império” Eugénio de Almeida.
A documentação do arquivo permite igualmente testemunhar a obra filantrópica e mecenática desenvolvida pelo Instituidor da Fundação, Vasco Maria Eugénio de Almeida (1913-1975) sobretudo entre 1940 e 1975. Desde logo as ações empreendidas ao nível da salvaguarda do património arquitetónico, como foram os casos do Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, do antigo Palácio da Inquisição ou do complexo de edifícios do Páteo de São Miguel, edifícios que resgatou da ruína e aos quais conferiu um novo sentido no contexto do desenvolvimento cultural e social da cidade de Évora.
No arquivo encontra-se também o registo da intervenção de Vasco Maria Eugénio de Almeida nos domínios social, educativo e espiritual, em que se destaca o avultado donativo para a construção do Hospital do Patrocínio (1957), a cedência de terrenos para a construção do Aeródromo de Évora e de bairros sociais, a partição da Herdade do Álamo da Horta pelos trabalhadores assalariados da povoação de São Manços (1958) ou a reativação do Convento da Cartuxa (1960), para além, naturalmente, da criação da Fundação Eugénio de Almeida em 1963.
No sistema de informação da Casa Eugénio de Almeida a biblioteca ocupava também um lugar central. 
Expressão da natureza pragmática de uma família de empreendedores como foram os Eugénio de Almeida, o fundo bibliográfico reunido pelas sucessivas gerações reveste-se de um caráter instrumental no sentido em que constitui um repositório de conhecimento e de informação sistematicamente consultada quer para instruir as tomadas de decisão, quer para servir de apoio ao estudo de temáticas associadas às suas atividades económicas ou à intervenção pública que protagonizaram.
Uma prova da importância da biblioteca enquanto fonte de informação e de conhecimento foi a contratação, na década de 1860, de Francisco Casassa, funcionário da Biblioteca Nacional, para proceder à organização e catalogação dos milhares de obras que constituíam o acervo reunido por José Maria Eugénio de Almeida. O resultado do encargo foi a produção de um Cathalogo Methodico que passou a constituir uma ferramenta de pesquisa essencial para assegurar o acesso rápido às obras ou à informação que era necessário consultar.
Entre as obras mencionadas neste instrumento de pesquisa, a mais antiga foi impressa em 1498 e compila todas as cartas de privilégio papais concedidas à Ordem de Cister. No entanto, a grande maioria do fundo bibliográfico da família Eugénio de Almeida é composta por livro antigo e por obras publicadas nos séculos XIX e XX nas mais diversas áreas de conhecimento - Ciências eclesiásticas, Ciências morais e políticas, Direito, Ciências naturais e exatas, Belas-artes, artes e ofícios, Literatura, História, Agricultura, Educação, etc. 
Para além desta documentação, bem como da entretanto produzida e acumulada pela Fundação desde a sua criação em 1963, o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida tem também à sua guarda a antiga biblioteca do Instituto Superior Economico e Social de Évora (ISESE), estabelecimento de ensino criado por Vasco Maria Eugénio de Almeida em articulação com a Companhia de Jesus, que representou o regresso dos estudos superiores à cidade, cerca de 200 anos após a extinção da Universidade de Évora.
Pela natureza da documentação reunida no Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida, a consulta do acervo reveste-se de particular interesse para a realização de investigações em domínios tão variados da história do país como a história económica e empresarial, a história social e das elites, a história da agricultura, ou ainda a história da arte e do ensino, entre outros.

O Páteo de São Miguel encontra-se localizado num dos pontos mais nobres e estratégicos da cidade de Évora e, por essa razão, foi objeto de diversas ocupações ao longo da sua história.
A primeira ocupação deste espaço teve essencialmente uma finalidade defensiva, determinada pela sua própria localização no ponto mais elevado da cidade que dificultava não só o acesso das forças inimigas em caso de ataque, como permitia dominar uma vasta área da planície circundante e manter contacto visual com outras fortificações. O espaço ocupado pelo Páteo de São Miguel constituía um ponto nevrálgico da estrutura defensiva da cidade, pelo que foi Alcácer Mourisco e parte integrante do Castelo Velho de Évora.
Depois da conquista da cidade aos Mouros, em 1165, a fortificação foi entregue pelo Rei D. Afonso Henriques à Ordem Militar de São Bento de Calatrava, que mais tarde transferiu a sua sede para Avis, passando a designar-se Ordem de Avis. Durante o período em que a Ordem se encontrou sediada em Évora, os seus Cavaleiros, também conhecidos por Freires de Évora, habitaram as casas do Castelo Velho e outros espaços nas imediações dando lugar ao surgimento dos topónimos “Freiria de Cima” e “Freiria de Baixo” que denominam duas ruas da cidade.
 
O Pátio de S. Miguel
A partir de 1220, o Paço de São Miguel foi reintegrado na Coroa como paço régio, tendo servido de pousada a todos os reis até D. Duarte e de quartel-general ao Condestável D. Nuno Álvares, fronteiro-mor do Alentejo, durante a guerra da Independência (1383-85).
Um testemunho da relevância militar e política deste espaço na Idade Média chega-nos através de Fernão Lopes, um importante cronista português do século XV. Durante a crise de 1383-1385, os partidários em Évora de D. Leonor Teles e de D. João II de Castela barricaram-se no interior do Castelo. Com o objetivo de ocupar esta posição, os apoiantes de D. João, Mestre de Avis, futuro D. João I, sitiaram a zona amuralhada, desencadeando ataques de arqueiros a partir do Templo Romano e da Sé de Évora que, no entanto, se revelaram infrutíferos. As portas da praça só foram franqueadas quando os fiéis à causa do novo Rei aprisionaram os familiares dos sitiados que residiam na cidade e ameaçaram executá-los. 

Embora a origem do Paço de São Miguel remonte à Idade Média, da edificação desse período poucos vestígios se conservam em resultado da destruição de que o espaço foi alvo na sequência dos confrontos ocorridos durante a crise de sucessão ao trono de 1383-85 entre os partidários de D. Leonor Teles e os de D. João, Mestre de Avis, futuro rei de Portugal.
Interior do Paço de S. Miguel
A existência deste edifício tal como hoje o conhecemos, em termos patrimoniais e arquitetónicos, está associada à história de duas famílias cuja presença no Páteo de São Miguel se encontra separada por cerca de cinco séculos: os Condes de Basto (ou Castro das Treze Arruelas) e a família Eugénio de Almeida.
À primeira destas famílias, que aqui residiu entre o final do séc. XV e a primeira metade do séc. XVII, deve-se quer a importante campanha de obras do século XVI que conferiu ao Paço de São Miguel uma configuração muito próxima à atual, quer a encomenda do extraordinário conjunto de frescos quinhentistas que reveste os tetos de algumas das salas, de temática profana, da autoria dos pintores Francisco de Campos, Tomás Luís e Geraldo Fernandes de Prado. 
Os Condes de Basto, pertencentes à família dos Castro das Treze Arruelas, cujas armas se encontram nos frontões de ambos os portais à entrada do Páteo de São Miguel, foram designados no século XV pelo Rei D. Afonso V Capitães-mor da cidade, estabelecendo a sede da capitania e a sua residência no Paço de São Miguel que lhes foi doado como reconhecimento dos serviços prestados à coroa nas campanhas do norte de África e na Batalha de Toro.
A reedificação do Paço de São Miguel e as obras de ampliação e reestruturação de que foi objeto durante este período visaram conferir ao edifício a imponência e beleza arquitetónica que refletisse a crescente riqueza patrimonial e o prestígio político e social alcançado pelos Castro.
Esta manifestação do seu poder e estatuto económico era particularmente sensível em Évora que, desde o limiar do século XVI, se assumira como um importante foco cultural da Península Ibérica e era considerada a segunda cidade do país, como o comprova a frequência com que contava com a presença do Rei e da Corte. Registe-se, aliás, que a campanha de obras de 1570 promovida pelo 3.º Capitão-Mor da cidade, D. Diogo de Castro, teve como objetivo conferir ao espaço a dignidade necessária para receber o Rei D. Sebastião que aqui residiu na primeira metade da década de 70 do século XVI durante o período que frequentou as aulas da Universidade de Évora, fundada pelo seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique.
 
Na sequência do desastre da Batalha de Alcácer Quibir, de que resultou a morte do Rei D. Sebastião, uma crise de sucessão ao trono e a perda de independência do reino para Espanha, os Castro das Treze Arruelas tornaram-se fiéis ao novo poder e à Dinastia Filipina, chegando a ser vice-reis de Portugal em nome da coroa espanhola. O reconhecimento da sua lealdade à causa de Espanha refletiu-se na concessão do título de Conde de Basto a D. Fernando de Castro por parte de Filipe II, em 1583, aquando da sua estadia no Paço. É por esta razão que o Paço de São Miguel é também conhecido como Paço dos Condes de Basto.

Com a Restauração da Independência e a subida ao trono de D. João IV, que deu início à Dinastia de Bragança, a família dos Castro das Trezes Arruelas cai em desgraça e é obrigada a retirar-se para Espanha. Apesar de, nos séculos seguintes, o Paço de São Miguel ter sido palco de alguns acontecimentos associados à História de Portugal e ter recebido personalidades de relevo, como a futura rainha consorte de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, o edifício atravessa uma fase sombria responsável pelo avançado estado de ruína em que chega ao século XX. 
À segunda família, a família Eugénio de Almeida e em especial ao Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida, deve-se, no século XX, a profunda intervenção de conservação e restauro de todo complexo de edifícios do Páteo de São Miguel que se prolongou por cerca de 15 anos.
Vasco Maria Eugénio de Almeida adquiriu o Páteo de São Miguel em 1957 com o objetivo de aí fixar a sua residência durante as estadias em Évora, instalar o Arquivo e Biblioteca da família e estabelecer a sede da Fundação Eugénio de Almeida, que veio a criar em 1963.
Outro motivo para a aquisição deste espaço foi corresponder ao apelo das autoridades locais sem os meios necessários para proceder, à época, à recuperação do edifício, classificado como Monumento Nacional desde 1922.
Para além dos graves problemas estruturais apresentados pelo edifício, a longa campanha de obras de conservação e restauro, iniciada em 1958 sob orientação de Vasco Maria Eugénio de Almeida em estreita colaboração com o Arquiteto Rui Couto, revelou elementos de grande valor arquitetónico encobertos pelo sedimento das intervenções de que o espaço fora alvo desde o século XVIII. Foram desentaipadas as galerias quinhentistas e as janelas em estilo manuelino-mudéjar do primeiro piso, demolidos tabiques que compartimentavam os antigos salões e a loggia, colocados a descoberto portais góticos e replantada a vegetação do jardim, recuperando a essência do horto de recreio do tempo dos poderosos Condes de Basto.
Das varandas do Paço avista-se o complexo da Universidade

A intervenção implicou igualmente o realojamento de 15 famílias que residiam nos diferentes espaços do Páteo de São Miguel, e da Sociedade Recreativa e Dramática Eborense, que tinha a sua sede no Paço de São Miguel.
A aquisição do Paço de São Miguel está ainda associada à venda ao Estado, em 1947, do Palácio de São Sebastião da Pedreira, residência principal da família Eugénio de Almeida em Lisboa, e à consequente necessidade de encontrar um destino para os bens móveis daí provenientes.
Encontramos, por isso, reunidos no Paço de São Miguel uma parte dos utilitários domésticos, do mobiliário e das artes decorativas utilizados pela família Eugénio de Almeida ao longo de quatro gerações nos seus diversos espaços de residência. Trata-se, neste sentido, de um património cuja aquisição não tem subjacente um espírito de colecionador, mas que é o resultado de heranças familiares ou da compra pontual de objetos, determinada por necessidades funcionais da vivência dos espaços, orientada pelo gosto estético dos seus residentes em cada época.
Adquiridos e legados de geração em geração, estes bens evocam a vivência e o uso quotidiano que deles fizeram não apenas o Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida e a sua mulher neste espaço, mas eles próprios e os seus antepassados nos séculos XIX e XX noutros locais de residência da família por onde estes objetos passaram. O Paço de São Miguel é também hoje, por esta razão, um espaço de memória da família do Instituidor da Fundação.
Antigo celeiro do Cabido da Sé de Évora, o edifício que acolhe a Coleção de Carruagens foi adquirido por Vasco Maria Eugénio de Almeida em 1959 com o objetivo de o integrar no conjunto edificado do Páteo de São Miguel e de para aí transferir provisoriamente a sede da Sociedade Recreativa e Dramática Eborense que durante décadas ocupara os salões nobres do Paço de São Miguel.
Aberta ao público desde 1998 e objeto de requalificação entre 2011 e 2012, a Coleção de Carruagens reúne as atrelagens e utilitários de viagem que se encontraram ao serviço da Casa Eugénio de Almeida entre a segunda metade do século XIX e os primeiros anos do século XX.
Adquiridas aos principais fabricantes da Europa, as carruagens chegavam a Lisboa em veleiros e barcos a vapor prontas a usar ou a montar no destino, peça a peça. O requinte luxuoso dos acabamentos, a elegância na apresentação dos cavalos, também eles importados de França, Antuérpia ou Inglaterra, o detalhe laborioso dos arreios e utensílios de atrelagem, o aprumo do cocheiro e do trintanário, ou os custos associados à aquisição e manutenção das carruagens constituíam, nos ambientes citadinos do século XIX, uma manifestação clara do estatuto social dos seus ocupantes. Radicada em Lisboa, é neste universo que a família Eugénio de Almeida se move e do qual as carruagens e as “viagens sociais” a que deram colorido constituíam mais uma das suas múltiplas manifestações.
A partir do final do século XIX e sobretudo dos primeiros anos do século XX, a utilização de carruagens começa a ser progressivamente substituída pelo automóvel, mais confortável e, sobretudo, mais rápido.
No caso da família Eugénio de Almeida, a transição entre os dois mundos começa em 1907 com a aquisição do primeiro automóvel. As cocheiras localizadas no Parque de Santa Gertrudes, parte integrante do Palácio de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, sofrem então as primeiras obras de adaptação de modo a serem convertidas em “gare de automóveis” enquanto as “ultrapassadas” carruagens são expedidas via caminho-de-ferro para as propriedades da família em Évora. 
Décadas depois, quando as carruagens não passavam quase de uma mera reminiscência do passado, registada nos álbuns de família, o progresso, uma vez mais, devolveu à vertigem da história um novo conflito mundial. Com a Segunda Guerra Mundial chegou também a revelação de que era necessário restringir a utilização de combustíveis, agora fundamentais nos campos de batalha, onde o combate também se mecanizara.
O racionamento foi imposto à escala mundial. Vazios os depósitos dos automóveis, as velhas carruagens não tardaram a ser resgatadas ao manto diáfano do tempo. Os arreios de tiro, os pingalins e o brilho das lanternas agora alimentadas por baterias, voltaram a dar colorido às ruas, praças e avenidas dos lugares, ao som dos andamentos dos cavalos e dos rodados das carruagens.
Terminada a guerra, rapidamente a situação teve o seu revês e os automóveis provaram ser incontornáveis. Apesar de preteridas, as carruagens da família nunca foram descuradas, tal como os objetos fundamentais à sua utilização, assumindo-se a importância da sua conservação e restauro o que nos permite, hoje, em pleno século XXI, apreciar esta coleção, na Fundação Eugénio de Almeida.
As Casas Pintadas devem o seu nome ao singular conjunto de frescos quinhentistas que decora a galeria e o oratório anexo integrados no jardim. Estão classificadas como Imóvel de Interesse Público desde 1950. 


À época da execução dos frescos, as Casas Pintadas pertenciam a D. Francisco da Silveira, 3º Coudel-mor de D. Manuel I e de D. João III e um poeta de referência no Cancioneiro Geral. Em finais do século XVI, as Casas Pintadas foram anexadas ao Palácio da Inquisição para servir de moradia aos juízes do Santo Ofício.
CASAS PINTADAS - No século XIX existiu no conjunto habitacional das Casas Pintadas um teatro denominado “Teatro Eborense”, a primeira sala pública de espetáculos de Évora.
No início da década de sessenta do século XX, Vasco Maria Eugénio de Almeida, Instituidor da Fundação, adquiriu o imóvel que adaptou e cedeu para residência da Companhia de Jesus em Évora. Os sacerdotes jesuítas foram responsáveis pela coordenação científica do ISESE (Instituto Superior Económico e Social de Évora), criado em 1964, que funcionava no contíguo Palácio da Inquisição, já então propriedade da Fundação e que acolhe hoje o Fórum Eugénio de Almeida.
As decorações da galeria do jardim são das mais interessantes manifestações artísticas do género existentes em Portugal e um exemplar único da pintura mural palaciana da primeira metade do século XVI.
Em 2008, a Fundação levou a cabo um projeto de valorização e requalificação do jardim das Casas Pintadas e, em 2011, o conjunto fresquista foi objeto de estudo e de uma intervenção de consolidação e restauro, estando hoje acessível ao público através de um programa de visitas guiadas.


De um dos varandins da Fundação EA




Pormenor da escadaria
Tecto da Sala do Inquisidor

Cansados da preenchida manhã, o Eduardo encaminhou-me para o pequeno Restaurante que conhece há 32 anos (existe há 40 anos) de nome ‘’São Domingos’’ – cozinha regional, sito na travessa Mangalaça,8 que nos serviu Pezinhos de Coentrada (divinal) e Iscas Fritas, regados com um tinto da casa da Herdade das Servas… 

Saímos imensamente refeitos das hostilidades matinais.
Retomamos a tarefa de conhecer  melhor a cidade, voltando à visita sendo que antes ainda entramos na Igreja do Salvador onde apreciamos a mostra de ‘oratórios’ de presépios. 












Seguiu-se a Câmara Municipal, onde no seu interior se nos apresentaram o resultado de escavações onde ficaram a descoberto as ruínas Romanas.
Igreja Salvador e Câmara Municipal
Interior do edifício da Câmara Municipal de Évora

Um Alentejano respeitável a fazer a 'sesta' sob o sol de final de janeiro
Com o dia bem aproveitado em termos culturais e gastronómicos, avançamos em direcção ao Inter-Marché que disponibiliza uma área de serviço para autocaravanas onde reabastecemos de água a casa rolante.
AS do Intermarché de Évora
Terminada a tarefa, com a noite no horizonte, passamos Reguengos de Monsaraz e acabaríamos por estacionar para pernoitar no já mítico espaço onde os autocaravanistas de países vários estacionam apreciando as paisagens raianas e a bacia generosa do Alqueva.

Monsaraz 


Uma pequena caminhada nos arruados semi-desérticos da parte muralhada com breve regresso tal o frio sentido.
Percorridos: 526 Km ( Dia 63 Kms)
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